Xampu sem sal não existe. Saiba mais!

Não se sabe sua origem, mas sem dúvida as consumidoras brasileiras aderiram ao uso do xampu sem sal como o salvador das madeixas ressecadas. Ao invés de uma preocupação voltada para os ingredientes do xampu, o que se observa é que as atenções estão voltadas apenas para a falta de um deles: o cloreto de sódio ou, também chamado, sal.

De acordo com Maria Fernanda Gavazzoni Dias, dermatologista do Pantene Institute no Brasil, o cloreto de sódio, fórmula molecular NaCl, é o mesmo sal da nossa culinária ou da água do mar. “Talvez o mito tenha surgido pelo fato da água salgada endurecer e ressecar os cabelos. Isto é fato. Mas, não se trata de xampu salgado! O sal é um importante componente de qualquer xampu e quando usado nas concentrações adequadas jamais terá qualquer influência negativa na estética dos cabelos”, revela.

Ainda de acordo com a médica, xampu sem sal é como fruta sem açúcar: não existe. “Aliás, observa-se que a propaganda dos supostos xampus sem sal apresentam um asterisco que informa em letras pequenas que “não há adição de cloreto de sódio (NaCl)”. Ora, a necessidade desta informação constar nos rótulos e propagandas é devido ao fato de toda e qualquer fórmula de xampu, contendo muitas vezes mais de 40 ingredientes, gera sal por meio da reação química que ocorre entre os seus componentes”, diz.

xampu Xampu sem sal não existe. Saiba mais!

Está um pouco confuso? Ela explica “Naturalmente ninguém mais lava os cabelos com sabão em barra. A indústria cosmética foi capaz de desenvolver agentes de limpeza sintéticos que hoje são usados como limpadores de cabelo e couro cabeludo. Estes agentes são chamados “surfactantes” e são a alma de qualquer xampu, pois são eles que higienizam e retiram o óleo e a sujeira. Os surfactantes devem ser capazes de grudar na sujeira e ao mesmo tempo, arrastá-la por água abaixo permitindo o enxágue. Mas, sabemos que não podemos misturar água com óleo”, afirma.

Então, para retirar os produtos oleosos do couro cabeludo é preciso destes surfactantes. Eles têm uma estrutura como se fosse um cotonete, onde a cabeça de algodão se liga com a água, e o palito de plásticose liga com a gordura do couro cabeludo e fios. Quando se enxágua vai tudo junto e os cabelos ficam limpinhos. “O principal surfactante ou agente de limpeza existente em quase todos os xampus é o lauril sulfato de sódio ou derivados deste. Daí já reconhecemos um nome: sódio (Na). O lauril é um limpador excelente, mas o xampu só com ele seria muito aguado, pois este não dá viscosidade ao xampu nem tampouco geraria espuma na hora de lavar.”

Para que tudo não escorra literalmente por água abaixo e por entre os nossos dedos, há de se adicionar ao lauril algo que encorpe o líquido do xampu e permita que seja produzida espuma na hora de lavar os cabelos. É a hora do cloreto de sódio. Acrescenta-se quantidade sufuciente para que o xampu adquira uma consistência mais firme e que permita seu uso sem que escorra. Existe um limite para o uso deste sal. Acima do limite o xampu fica pegajoso e novamente desagradável.

Para não adicionar muito sal, todos os xampus têm em sua fórmula agentes limpadores que auxiliam o efeito do lauril sulfato de sódio, tornando-o mais suave e, ao mesmo tempo, fornecendo viscosidade ao xampu, ou seja, deixando ele mais firme e encorpado. Com isso, precisa-se menos ainda da adição do cloreto de sódio. “ E é isso que temos hoje. Mínimas concentrações de cloreto de sódio acrescentadas à fórmula para gerar um produto que não escorra e faça espuma”, explica a médica.

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